Isopor - Herói de uns e vilão de outros Postado em: 10/05/2016 - 10:22

Ele é utilizado como embalagem nos supermercados e padarias, como proteção quando compramos eletrodomésticos e produtos frágeis, e até em construções civis. Segundo a Abrapex (Associação Brasileira do Poliestireno Expandido), o poliestireno expandido, ou EPS, mais conhecido no Brasil pelo nome comercial Isopor (sendo uma marca registrada da empresa Knauf Isopor Ltda.), é um material totalmente reciclável e pode ser 100% reaproveitado. Devido a sua característica impermeável e de densidade muito baixa, ele pode levar de 150 a 200 anos para se decompor no meio ambiente, sendo altamente prejudicial. Apesar disso, sua utilização no mercado consumidor ao longo dos anos tem sido crescente, já que é um material leve, possui capacidade de isolamento térmico e, principalmente, por possuir um custo bastante baixo.

Mas se ele é 100% reciclável, então qual é o problema do seu consumo crescente?

O problema é que, infelizmente, a reciclagem do Isopor encontra alguns obstáculos. Embora seja um material leve, ele é muito volumoso, o que encarece o seu transporte. Muitas empresas e cooperativas não têm interesse em coletá-lo devido a essas dificuldades de logística, fazendo com que seja comum a presença de grandes quantidades de isopor nos aterros sanitários e lixões. De acordo com dados da Plastivida Instituto Sócio-Ambiental dos Plásticos, em 2008 foram produzidos no Brasil cerca de 82,9 mil toneladas de poliestireno, sendo que apenas 7 mil toneladas – 8,4% – foram recicladas.

Existem algumas empresas com iniciativas para que a reciclagem do isopor aconteça de maneira efetiva, como a Foam Reciclying Coalition, criada em 2014 pela Foodservice Packaging Institute com o objetivo de apoiar o aumento da reciclagem de embalagens de foodservice feitas de isopor. A FRC oferece assistência e financiamento para programas prontos para iniciar ou reforçar a reciclagem desses tipos de embalagem na América do Norte, e também se estendem a outras embalagens de isopor, não só às de foodservice.

Em São Paulo, segundo o site da Prefeitura, A Cooper Viva Bem, que participa do Programa de Coleta Seletiva desde 2004, é uma das únicas cooperativas do estado que recebe isopor. Depois, esse material é encaminhado para a única recicladora especializada na reciclagem de EPS no Brasil, a ProEcologic.

De acordo com a BBC, em Nova York, desde julho de 2015, está proibido vender qualquer produto em embalagens feitas de isopor. Foi dado um prazo de seis meses para as empresas e os comerciantes se adaptarem. Depois disso, caso não respeitem a lei, haverá multas. Há uma estimativa de que apenas nos Estados Unidos 25 bilhões de copos de café de isopor são jogados no lixo em um ano. Uma das principais razões que levaram a essa decisão foi a dificuldade em reciclar o material. Kathryn Garcia, responsável pelo sistema sanitário da cidade, afirmou que ainda são desconhecidos meios de reciclá-lo em larga escala e que tampouco há mercado para isso. 

Tendo em vista todas essas adversidades acerca da utilização e reciclagem do isopor, algumas empresas já vêm investindo em embalagens de outros materiais. O  McDonalds, a partir de 2013, substituiu totalmente o material por alternativas feitas com papel. Apesar de os custos serem mais altos, se a demanda por produtos alternativos aumentar, a tendência é eles abaixarem. Ou seja, deixar de utilizar isopor aos poucos e trocá-lo por outro material é um caminho que deve ser realmente considerado, já que oferece uma solução para o problema da reciclagem e que pode levar ao barateamento dos materiais alternativos.

Aliás, a foto ali em cima é licenciada para uso comercial, e foi tirada desse Flickr do David Gilford: https://www.flickr.com/photos/complexify/3409801088


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