Florestas Ameaçadas - A saga do óleo de palma na Ásia Postado em: 17/05/2016 - 14:26

Também conhecido como azeite de Dendê, o óleo de palma é o mais produzido e mais consumido óleo no mundo todo, principalmente pelo seu baixo custo. O cultivo da palma pode chegar a render até dez vezes mais do que o cultivo comercial de qualquer outro óleo vegetal, por isso sua predominância no mercado é tão pronunciada.

Sua utilidade é principalmente evidenciada pela indústria alimentícia, mas ele também possui utilidades em outros setores, como cosméticos e produtos de higiene pessoal, biocombustível, produtos farmacêuticos e até mesmo em alimentos para animais.

Em função dos seus vários usos, a demanda pelo óleo de palma é crescente, o que repercute na expansão das plantações de palmeiras. O impacto ambiental da monocultura, no entanto,  é preocupante. A WWF traz informações de que para abrir caminho para o plantio, são desmatadas a cada hora uma área de tamanho equivalente a 300 campos de futebol de floresta tropical.

O desmatamento afeta não somente a fauna e a flora, que acabam ficando sob o risco de extinção, mas também pode gerar alterações climáticas que podem ser tornar irreversíveis com o passar dos anos. Além disso, são violados os direitos indígenas nos países onde são produzidos, já que as áreas antes utilizadas para a subsistência dessas tribos estão sendo utilizadas para o plantio do óleo de palma. Na Indonésia e na Malásia, o desflorestamento para plantação de palmeiras esteve associado à queima de turfeiras e ao deslocamento de nuvens de fumaça para Singapura.

Duas empresas referência neste negócio são a Felda, que se autodenomina a maior produtora de óleo de palma do mundo e a Eagle High Plantations, sexta maior produtora de óleo de palma na Indonésia (ambas baseadas em hectares plantados).

As empresas estão prestes a firmar um acordo milionário, onde a Felda iria adquirir uma participação de 37% da Eagle High. O problema desta negociação se encontra na responsabilidade ambiental de ambas as empresas, que possuem fama pela sua falta de compromisso para um mercado sustentável de óleo de palma.

O Wall Street Journal acusou Felda de violar os direitos humanos, submetendo seus empregados à condições abusivas de trabalho, como a confiscação de seus passaportes, atraso de pagamento e falta de equipamentos de proteção.

A Eagle High também carece desses comprometimentos. Além da falta de compromisso com o não desmatamento e a ausência de exploração, entre os anos de 2010 e 2014, a empresa limpou 13.000 hectares de floresta para o plantio de óleo de palma na Indonésia.

O acordo fornece a Felda uma média de 425.000 hectares de terreno que momentaneamente pertencem à Eagle High. A pressão sobre a Felda para mostrar um retorno financeiro sobre este investimento torna provável que nenhum compromisso ético será cumprido nas áreas.

As empresas devem, no entanto, tomar muito cuidado, pois a maioria dos seus clientes seguem as políticas de não desmatamento e não exploração. Segundo o The Guardian, caso o acordo - que indica uma limpeza de terrenos e abuso de direitos humanos - ocorra, esses clientes podem optar por encerrar seu contrato tanto com a Felda quanto com a Eagle High.

Caso o acordo seja firmado, o que esperamos de ambas as empresas é firmarem o compromisso de não passar por cima dos direitos humanos e ambientais. Caso contrário, se tornará impossível controlar o desmatamento causado por este mercado que, posteriormente, podem causar danos irreversíveis ao planeta.

E aí, tem azeite de dendê na dispensa?

Aliás, todos os créditos da foto ali em cima vão pra OneVillage Iniative! Aqui o Flickr deles: https://www.flickr.com/photos/1village/

 


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