A Grande Frota Verde Australiana Postado em: 19/05/2016 - 10:25

Desde a revolução industrial, o consumo de combustíveis de origem fóssil está diretamente ligado ao potencial de desenvolvimento econômico de uma nação. Seja para alimentar indústrias com combustão estacionária ou diversos meios de transporte com combustão móvel, os derivados de petróleo são valorados no mercado através do potencial de geração de energia e, consequentemente, geração de valor. No entanto, além de se tratar de um recurso natural finito, a queima de combustível de origem fóssil resulta em uma das maiores interferências humanas à natureza: o aquecimento global devido à emissão de gases de efeito estufa na atmosfera terrestre.

Temos, então, um dilema: os combustíveis fósseis se estabeleceram como cruciais para o desenvolvimento econômico, mas são, ao mesmo tempo, grandes fontes de poluição. Por isso, temos observado muitos investimentos em pesquisa e desenvolvimento de tecnologias para geração de energia a partir de fontes limpas (ou seja: não fósseis). As energias fotovoltaica, eólica, hidrelétrica, por biocombustíveis (queima de combustíveis de origem não fóssil, como a biomassa e o etanol) e até mesmo a nuclear, têm sido implantadas em nível mundial como uma tentativa de substituir a matriz energética “suja”, porém ainda não suprem a demanda crescente por energia.

Agora imagine: e se além de desenvolver um biocombustível, existisse uma tecnologia que utilizasse diversos tipos de resíduos para isso? Essa é a proposta do desenvolvimento dos “biocombustíveis avançados”.

Como resultado do desenvolvimento científico e capacidade de inovação, foi lançado recentemente na Austrália um programa de substituição de combustíveis fósseis. Com investimento total de US$ 650 milhões, as forças militares australiana receberam a meta de substituir seus combustíveis tradicionais por biocombustíveis avançados à base de bagaço de cana, plásticos, pneus usados, dejetos humanos, ervas daninhas, resíduos de madeira, etc. 

A construção da fábrica piloto de biocombustível avançado é uma iniciativa da empresa Southern Oil Refining (Oil sul), que pretende, dentro de três anos, produzir 1 milhão de litros de  biocombustível. Além disso, de acordo com Tim Rose, diretor da Southern Oil Refining, “em 2020, as refinarias poderão produzir 200 milhões de litros de biocombustível avançado no ano, aproximadamente a mesma quantidade que é usada pela força militar Australiana”.

O mais interessante é ver o potencial de inovação desse programa. Apesar de combustíveis avançados já estarem sendo produzidos em outros países (como nos EUA), cada refinaria tende a se especializar em apenas uma fonte. Portanto, a tentativa de utilizar diversas matérias-primas como fonte para geração desses biocombustíveis é algo absolutamente novo, que deve oferecer melhor destino para diversos tipos de resíduos na Austrália.

A verdadeira origem do esforço para substituir os combustíveis utilizados nas forças militares por combustíveis alternativos é de um plano dos EUA (onde já são produzidos alguns tipos de biocombustíveis avançados) chamado de “Great Green Fleet” - GGF (grande frota verde). Assim, a grande frota verde Australiana representa um compromisso de desenvolvimento de biocombustível avançado para garantir energia à força militar do país, ajudando a solucionar diversas questões ambientais, como as mudanças climáticas intensificadas pela queima de combustíveis fósseis. Além disso, esse programa representa uma alternativa para segurança energética do país (ainda em escala piloto), já que a Austrália está cada vez mais dependente da importação de combustíveis.

Certamente, desenvolver biocombustível a partir de diversos resíduos é um grande desafio tecnológico. Se é que existe algum empecilho na prática desse programa, o risco econômico devido ao grande investimento inicial pode ser mencionado como o mais representativo. Apesar disso, a geração de empregos devido à construção da refinaria de biocombustível, a visibilidade do país por conta do projeto inovador e a grande demanda energética são pontos extremamente relevantes que justificam a tomada de decisão.

Vamos torcer para que o compromisso de assumir a grande frota verde australiana se torne realmente uma realidade em breve, e que esse seja o primeiro grande passo para o desenvolvimento e produção em massa de biocombustíveis avançados na Austrália, incentivando a solução de problemas através de tecnologias sustentáveis.

Aliás, todos os créditos da foto ali em cima vão para a Sarah Jayne Ebsworth! Aqui o Flickr dela: https://www.flickr.com/people/sarahjayneebsworth/


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